Fernanda Bastos | Arquitetura Corporativa | Blog
15528
page-template,page-template-blog-large-image-whole-post,page-template-blog-large-image-whole-post-php,page,page-id-15528,mltlngg-pt_BR,ajax_updown,page_not_loaded,,qode-title-hidden,transparent_content,qode-theme-ver-10.0,wpb-js-composer js-comp-ver-4.12,vc_responsive

Desde a década de 50, as palavras Seiri, Seiton, Seiso, Seiktsu e Shitsuke (5Ss) – fazem parte da rotina das empresas na busca pela melhoria do ambiente de trabalho – do desempenho e da saúde dos colaboradores. Este foi somente o início da corrida pela eficiência.

Nos dias de hoje – os escritórios de alta performance buscam na arquitetura as métricas que justifiquem suas estruturas e seus custos. 

Entender que o melhor desempenho não está necessariamente dentro do ambiente de muitos metros quadrados – mas em uma estrutura mais enxuta que possibilite melhor aproveitamento – pode ser o ponto de maior impacto nos custos da operação.

Uma metodologia com base nas relações, nos fluxos, nos tempos de uso, nas projeções de crescimento – nos faz garantir o ideal dimensionamento, assim como o atendimento as exigências de bem estar e segurança dos usuários. 

Muitas vezes, com um baixo investimento – a empresa muda além do seu layout – a sua cultura, sua forma de fazer e traz um novo ganho para as pessoas que nela trabalham.  

É máximo com o mínimo.

Dados da pesquisa Gensler 2019, através de entrevista com 6.000 funcionários de escritórios de 10 setores nos EUA mapeou o que faz um local de trabalho promover eficácia, experiência e  engajamento – tentando traçar o  “grau de abertura” ideal .

Como se vê, embora as pessoas estejam pedindo mais privacidade do que atualmente, isso não significa que estão pedindo ambientes totalmente fechados. A pesquisa constatou que ambientes “muito abertos” – que são aqueles que possuem espaço privado sob demanda, obtêm claramente a maior eficácia. 

Oferecer variedade e escolha é essencial. As pessoas trabalham de maneiras diferentes, dependendo da função, da empresa e do seu perfil. Um modelo não serve para todos. Os melhores espaços de trabalho fornecem um ambiente equilibrado que suporta a colaboração e o foco.

Charles Flint com a IBM aos 61,  Roberto Marinho com a Globo aos 60, Ray Crock com o McDonalds aos 52, John Pemberton com a Coca-Cola aos 55, …

Nunca o mercado de trabalho esteve tão aberto para os Talentos +55. Inclusive este é o nome do novo programa de estágio da Unilever. 

As empresas acordam para este rico mercado consumidor – e consequentemente precisa de pessoas em suas equipes que converse, entenda e faça parte deste público.

Com a volta (ou permanência) destas pessoas nas empresas, precisamos estar atentos para a pluralidade de necessidades envolvidas – quando falamos de projetos de arquitetura corporativa.  Não podemos nos limitar a encontrar soluções como adequar a iluminação, a ergonomia ou o nivelamento do piso. Precisamos proporcionar ambientes que resgatem memórias afetivas, experiências e promovam a interação harmoniosa das gerações.  

Fazer com que cada pessoa no processo entenda e se identifique no ciclo “indivíduo – grupo – comunidade”, pode trazer um senso de pertencimento inspirador e ser a grande sacada dos nossos gestores. 

“Empresas fake. Ser cool virou moda. Ter um espaço com puf, dia de pet friendly, área de lazer – tá na moda. É como se esse ambiente credenciasse a empresa como (The best place to work). Balela. Enrolação. Fake news para rede social…. o que o colaborador quer é gestão de pessoas … e dinheiro no bolso”

Este é o trecho de um depoimento que está circulando nos últimos dias no Linkedin…e ganhou uma aderência grande de curtidas e compartilhamentos. 

Por mais que alguns conceitos como o atual “Wellness” (valorização do bem estar do indivíduo) estejam em alta, o que as empresas buscam antes de tudo é produtividade. Pessoas que resolvam, que tenham insights interessantes, sejam criativas e que potencializem suas qualidades. 

Estudos mostram que são de ambientes como áreas de descompressão, recreação, pontos de reuniões (mesas para encontro informal em circulações), cafés; que saem maior parte das decisões e iniciativas. O fato de mudar o estado corporal e mental é o segredo para que as conexões sejam feitas. 

Quanto ao puf… sim…ele tem o seu papel e não é divertir! 

Empresas aumentam e diminuem seus quadros a medida que a economia desenha novas perspectivas. O afrouxamento das leis trabalhistas criará um mundo de novas possibilidades não somente de contratação, mas também de uso dos espaços. Empresas que mantinham jornadas rígidas buscarão formas de otimizar seus recursos. 

Aliado a isso, a era do (co)mpartilhamento, (co)working, co(living) – vem colocando em xeque estruturas rígidas e hierárquicas.

Em recente estudo realizado pela HermanMiller em grandes empresas (Herman Miller Performance Environments), observou-se que a maior parte do tempo – espaços corporativos encontram-se completamente desocupados (60% do tempo – as estações de trabalho; 77%  do tempo – salas privativas e 50% do tempo – salas de reuniões) ou mal dimensionados (73% das salas de reuniões são utilizadas por 1-4 pessoas, sendo que somente 34% são projetadas para 1-4 pessoas).

Garantir um estudo adequado afim de evitar desperdícios, entendendo que as formas de trabalho (e contratação) vem mudando e apresentar soluções que além de inovadoras – sejam racionais para garantir a eficiência das operações – são os desafios que buscamos resolver.